A desvantagem entre as recém libertadas repúblicas latino-americanas e as potências coloniais era muito grande. Saímos muito atrás na corrida pelo desenvolvimento e por uma independência efetiva – conceito-guia que nunca se realiza. O século XIX foi extremamente difícil para nós. Comparem a escala dos três mais elevados PIB’s latino-americanos com o das três principais potências européias naquele então. O século XIX foi humilhante para muitos países latino-americanos, com invasões, tomadas de alfândegas e muito mais.
A explicação do atraso tem sido viciada pelo peso do dogma, seja de que teor ideológico fôr. No último século, a ênfase no imperialismo como fator explicativo da desigualdade internacional e do sub-desenvolvimento dos países pobres comete erros primários de muitas décadas. A Doutrina Monroe tem sido lembrada e usada com freqüência como instrumento explicativo.
- Porém, a Doutrina Monroe, elaborada em 1823, por James Monroe, foi anunciada menos de cinquenta anos depois da Independência americana (1876) e os Estados Unidos estavam longe de serem uma potência mundial. Era, sim, uma declaração anti-colonialista, afirmando a imoralidade de colonias. Os americanos veriam qualqur ação militar contra uma colonia ou ex-colonia localizada nas Américas como uma ação hostil contra os Estados Unidos.
- O chamado “Corolário de Roosevelt” foi proclamado em 1904 – oitenta anos depois!!! E foi, sim, uma triste reinterpretação de um princípio equalitário e humanitário. Para mim, marca o início do imperialismo.
- No afã, típico do século XX e deste início de século, de culpar os Estados Unidos, os ideólogos cometem um erro de muitas décadas, além do que absolvem os países coloniais pelas barbaridades (eram, sim, popolotas) e as elites locais, criollas e pós-criollas, que contribuíram e muito para a desigualdade e o sub-desenvolvimento da região.
janeiro 2, 2011 às 9:23 pm |
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