Colômbia, Venezuela e Equador

By soares7

O problema gerado pela presença de combatentes/traficantes das FARC no Equador tem semelhanças com situações anteriores, como as que caracterizaram a guerra da Coréia. Os aviões da Coréia do Norte, mais velhos, menos sofisticados e com pilotos com treinamento inferior, não eram adversário difícil para os americanos. Costumavam refugiar-se na China (que era muito diferente da de hoje), radical e paupérrima. Os americanos não queriam entrar em conflito aberto com a China, gerando situações nas que os aviões coreanos eram perseguidos até a fronteira chinesa. Guerrilheiros, bandidos e outros grupos se valeram muitíssimas vezes do recurso de cruzar a fronteira para escapar a perseguições e combates. O problema, desta vez, é que a presença das FARC era, pelo menos, tolerada pelo Equador, não sendo descabido hipotetizar que eram aceitas, talvez bem-vindas. A mensagem colombiana foi clara, a despeito do pedido de desculpas. A geo-política da área é muito, muito complicada. Há outros atores possíveis, particularmente o Peru, cujo Presidente, Alan García, foi hostilizado por Chávez que apoiou ostensivamente o seu adversário. A Colombia não está imprensada entre a Venezuela e o Equador, tendo ampla fronteira com o Peru, mas o Equador está imprensado entre a Colombia e o Peru, com quem tem disputas territoriais (na última eclosão de hostilidades, Fernando Henrique mediou e evitou guerra declarada).
A Venezuela vive do petróleo, que necessita exportar. A Colômbia, na triste eventualidade de uma guerra, contará com apoio dos Estados Unidos, com a maior marinha do mundo, com competência para bloquear a Venezuela. Além disso, a Venezuela depende de tudo, menos de petróleo e a Colômbia é um de seus principais provedores de alimentos. Estrategicamente, a Venezuela é muito vulnerável. Há muitos colombianos vivendo na Venezuela, concentrados em ocupações menos qualificadas e o horror de retaliações contra eles assusta.

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